out-30-2009

SBGames 2009, como foi?

sbgames2009_01Olá pessoal, como é de conhecimento de todos, há três semanas atrás aconteceu na cidade do Rio de Janeiro, o maior evento sobre desenvolvimento de games do País, o SBGames 2009. Infelizmente, o Abrindo o Jogo não pode participar presencialmente desta edição, fato este que não nos impediu de conferir o que ocorreu por lá. Nesta série de posts, traremos as percepções de profissionais, oriundos de áreas distintas, sobre o evento. Começamos pelo prisma de uma educadora, Maria Isabel Timm, além de uma grande amiga, também a responsável pelo projeto QuimGame e esteve presente na edição deste ano. Vamos conferir …

O SBGames 2009, ocorrido no início de outubro, na PUC do Rio de Janeiro, consolidou a maturidade da produção de jogos educacionais no Brasil, não apenas pela qualidade das apresentações de projetos realizados por desenvolvedores das universidades e do setor privado, na trilha de cultura, mas pela presença oficial da Finep (Financiadora de Projetos), uma agência de fomento à pesquisa e inovação, do Ministério de Ciência e Tecnologia, que nos últimos dois anos financiou 13 projetos de produção de jogos educacionais. Desse conjunto, seis jogos, já finalizados, foram disponibilizados ao público, em um estande da Finep, o que permitiu integração direta com o público e com outros desenvolvedores. Além do estande, a Finep organizou uma mesa redonda, com a participação de representantes desses seis projetos, para que fossem discutidos itens relativos aos desafios de produção, às soluções encontradas, às necessidades futuras e as potencialidades de uso dos jogos educacionais.

Na mesa-redonda, entre outros temas, levantou-se a importância do aprendizado realizado por todas as equipes, que deborda o tema dos jogos, em direção a todas as questões teóricas, técnicas, pedaógicas, práticas e de gestão da tecnologia educacional contemporânea, que inevitavelmente caminha para a qualidade profissional, para a multiplicidade dos enfoques e usos integrados de jogos, vídeos, multimídia e ferramentas de comunicação, em projetos que aliam preocupações de ensino e de motivação dos alunos. Todos os grupos foram unânimes em dizer que a experiência prática do desenvolvimento de um jogo educacional obrigou-os a repensar certezas, exercitar a flexibilidade e, principalmente, buscar soluções inovadoras para dar conta das necessidades de produção, que são múltiplas, incluindo equipes, tecnologias, escolhas, dificuldades, etc.

Com o Edital que financiou o desenvolvimento dos jogos, a Finep conseguiu estabelecer uma massa crítica, dentro das universidades, que hoje consegue planejar e projetar jogos educacionais e seus usos, alguns dos quais estabeleceram uma relação madura e profícua com parceiros empresariais, para garantir a qualidade dos produtos finais, em termos gráficos, de funcionalidade dos sistemas, de jogabilidade e, principalmente, no caso desse tipo de produto, de conteúdo e seus tratamentos, de forma adequada às necessidades pedagógicas e cognitivas dos públicos aos quais se destinam. Este foi o caso do QUIMGAME, jogo desenvolvido por pesquisadores das Universidades Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e Instituto Federal de Educação Tecnológica Sul Rio Grandense (IF-Sul, de Pelotas/RS), com o valiosíssimo apoio da Gestum, empresa desenvolvedora de jogos educacionais, também de Pelotas. Uma das soluções tecnológicas adotadas pelo Quimgame, sugeridas pela Gestum, foi exatamente apostar na portabilidade do jogo, desenvolvido em Flash, para rodar, via internet, através de um LMS (plataforma de gestão de conteúdos, como o Moodle, onde está disponibilizado), sem exigência de placa de vídeo ou de um sistema mais robusto. Além disso, o Quimgame também foi muito bem recebido, porque seu conceito final (definido também com a ajuda da Gestum) foi o de uma plataforma de gestão de conteúdos multimídia, flexível, na qual os professores podem incluir seus materiais (textos, vídeos, animações, questões, etc.) e, futuramente, poderão inclusive criar novos desafios.

Enfim, além da chuva torrencial, que caracterizou esta edição do SBGames e deixou a Cidade Maravilhosa quase irreconhecível, durante os três dias do evento, os jogos educacionais certamente deverão ficar como uma marca do encontro, que já é uma tradição entre os desenvolvedores e amantes de jogos em geral, no Brasil. Infelizmente, a Finep ainda não tem nenhuma indicação concreta de continuidade do fomento, apesar de ter recebido várias sugestões a esse respeito, durante o evento e a mesa-redonta. Foi sugerido, inclusive, um edital de fomento à parceria empresa-universidade, como estratégia de consolidação do mercado de jogos educacionais, que, no Brasil, ainda é incipiente. Mas, por enquanto, não há nenhum indicativo nesse sentido.

Maria Isabel Timm
Postado em Técnico

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